Eu sei, eu sei: essa coisa verde-amarela no blog ficou ridícula. Mas fazer o quê? A Copa do Mundo chegou. E pra alegrias de uns e tristezas de outros, vou fazer uma série de postagens sobre o assunto.
E eu tenho de confessar uma coisa: enquanto a maioria das pessoas diz que odeia a seleção, enquanto alguns outros ameaçam torcer pra Holanda e chegam até a cometer a heresia de afirmar que vão torcer pra Argentina. Eu, não: nunca torço contra a Seleção e sou Brasil até na purrinha. Pra todos esses que ficam contra, faço minhas as palavras de um tio: quando o Brasil for campeão, quero ver a cara de todo mundo.
Gosto de vários esportes, mas confesso que o meu favorito é disparado o futebol. Desde pequeno, nutro uma paixão crescente por esse esporte. Seja pela Seleção, seja pelo Galo, meu time do coração e que me acompanha na vida.
E Copa do Mundo é Copa do Mundo. Nasci durante a de 1986, e pra ser mais exato, momentos antes da vitória do Brasil sobre a Polônia, por 4 x 0, pelas oitavas de final. Mal sabia eu que nas quartas a Canarinho seria eliminada pela França, que posteriormente seria a seleção que eu mais detesto em Copas. A França, para mim, é a Itália para outros. E não sei porque, nunca fui com a cara do Zico, desde pequeno. Talvez seja por causa do penalti perdido contra os franceses.
Confesso que não me lembro da Copa de 1990. Afinal, eu tinha somente quatro anos. Por sorte, não vi o Brasil perder para os hermanos argentinos que, felizmente, acabaram perdendo o título para os alemães.
Já em 1994, a história foi outra. Com oito anos e começando a gostar e acompanhar futebol de verdade, acompanhei mais de perto a Copa dos Estados Unidos. Lembro de jogos das eliminatórias, inclusive - ou, pelo menos, de questões fundamentais como o que fariam os times que tem uniformes iguais, tal qual Brasil e Equador ou Colômbia, por exemplo. Conhecer o uniforme 2 da Seleção foi algo que eu não esqueço.
Lembro também de alguns momentos. O gol de Romário contra Camarões, o gol de Bebeto contra os Estados Unidos e o jogo contra a Holanda - ou a tensão que pairava o empate. Jogar duas vezes contra a Suécia também foi algo curiosíssimo. E houve a final. Lembro da bola na trave de Pagliuca, e também da disputa de penaltis. E, claro, lembro da carreata que fizemos depois.
Muitos não vão lembrar, mas tinha o Amarelinho. Ele era o mascote do SBT na Copa, e em outras competições. Diversão pra criançada. Lembro dele nas Olimpiadas também. Coisas engraçadas da memória.
Minha euforia foi mais completa ainda pós-Copa. Com sangue de goleiro correndo nas veias e depois da atuação magnífica na Copa, foi natural que Taffarel virasse ídolo. Pra contribuir, ele ainda veio defender as metas do Galo. Depois de Ayrton Senna, meu real primeiro ídolo, Taffarel assumiu o posto e veio preencher a lacuna aberta com a morte do piloto.
Quatro anos depois, a Seleção embarcou para a França. Eu estava com 12 anos, e conseguia entender melhor tudo e sentir mais que nunca o clima da Copa. E com a empolgação, veio a frustração: os misteriosos acontecimentos da final mais a derrota para França - de novo ela - me fizeram esquecer parcialmente 98 (era impossível, eu tinha e tenho até hoje um joguinho de video-game da Copa, o que me fazia conhecer vários jogadores das seleções mais diversas) e acreditar que em 2002 o penta era possível.
E ele veio. A seleção foi pra Copa do Japão e Coréia desacreditada por muitos. Mas eu acreditava, tanto que me lembro claramente de falar com colegas que o Brasil ia levantar o caneco - e muitos duvidavam. Já com 16 anos, sofri mais e vivi mais o clima que antes, mas me lembro claramente da frustração da maioria dos jogos serem na parte da manhã e eu ter aula. Época de Copa deveria ser feriado mundial ou, pelo menos, ponto facultativo pra pessoas como eu.
Retrospecto até aqui: contando o ano que eu nasci (86), 2002 foi minha quinta Copa. Destas cinco, dois títulos, uma derrota para a Argentina que eu não me lembrava, e duas para a França - uma eu era recém-nascido, de fato, mas perder em uma final compensa e agrava tudo.
Depois da Copa das Confederações, em 2005, eu estava completamente confiante no hexa no ano seguinte. A Seleção jogou muito e prometia arrebentar no Mundial. Porém, o tempo passou, os jogadores saíram de forma e nosso técnico era o Parreira - teimoso como uma pedra, insistiu nos dois pesadões Ronaldo e Adriano na frente e a Seleção acabou caindo frente à - adivinhem - França. Fiasco total, que me fez assistir solitário ao embate entre os franceses e italianos, que felizmente levantaram o caneco. A Itália encostou no Brasil, mas antes eles que a França.
E veio 2010. Dunga renovou a equipe e, apesar de eu (e todo o resto do país) discordarmos de alguns nomes, são eles quem estarão em campo e é por eles que eu vou torcer. Em outro momento, pretendo comentar as escolhas do nosso treinador, mas entendo e agora é torcer. Quem sabe, dessa vez, não vem o hexa? É só não pegarmos a França pela frente...
Escuta essa: Coração verde-amarelo - "Eu sei que vou, vou do jeito que sei..."
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Eu e o futebol (vulgo Copa)
sábado, 1 de maio de 2010
1º de Maio
Dia 1º de Maio, dia do trabalhador. Mas mais que isso: um dos dias mais tristes da minha infância.
Em 1994, eu tinha apenas 8 anos. Minha família havia se mudado recentemente (em novembro do ano anterior) de Belo Horizonte para Pará de Minas, no interior do estado, e eu estava naquela idade em que os esportes começam realmente a fazer parte da vida de qualquer garoto. Acompanhava futebol com maior frequência, começava a entender do assunto e estava virando um aficcionado por Fórmula 1.
Tive grandes ídolos no esporte, desde pequeno. No mesmo 1994, o goleiro Taffarel, com suas defesas na Copa e posterior transferência para o Galo, conquistou o coração de um jovem futuro goleiro. Mais velho, jogadores como Marques ou o tenista Guga também passaram a ser ídolos.
Mas foi ele, Ayrton Senna da Silva, ou Ayrton Senna do Brasil, meu maior ídolo da infância.
E eu me lembro como se fosse ontem do dia 1º de maio de 1994. Estava começando a acompanhar todas as corridas, a conhecer os pilotos e os carros, a me apaixonar pela velocidade.
Na manhã deste fatídico domingo, estava deitado na cama com meu pai assistindo a corrida. E é engraçado pensar como tantas pessoas, que nunca haviam sentado para ver uma volta sequer, também faziam isso nesse dia.
Lembro que a transmissão havia mostrado imagens da câmera que acompanhava o carro de Senna. Adorava essas tomadas, me sentia um piloto de Fórmula 1. E, de repente, uma outra câmera mostra seu carro passando direto na amaldiçoada Tamburello. Fiquei atônito.
Acompanhei cada segundo do atendimento médico, e passei o resto do dia grudado na frente da TV, esperando notícias. Quando meu pai me contou que haviam dado no rádio a notícia de morte cerebral, não entendi e nem acreditei: pensei que ele ainda poderia melhorar e se recuperar. Afinal, com oito anos é fácil acreditar em milagres.
Foi então que o repórter Roberto Cabrini entrou durante a transmissão da Globo e proferiu algumas das mais tristes palavras que eu me recordo já ter escutado: "Esta é uma notícia que eu jamais gostaria de dar. Morreu Ayrton Senna da Silva".
Mais uma vez eu não acreditava que era possível. Não, não com ele. Como seria possível? Lembro que chorei, e talvez pela primeira vez na vida, tive de lidar com a terrível dor da perda.
Senna não era próximo, não era conhecido, não era meu amigo de verdade. Mas, para aquele garoto de 8 anos, ele era quase um parente, um irmão mais velho. Me imaginava sendo ele, ficava horas sonhando com uma vitória em uma corrida e o Galvão gritando "Fábio Megale do Brasiiiiiiiiil", da mesma forma que fazia com Ayrton. Era um legítimo sentimento de perda.
E desde então aquele garoto nunca mais acompanhou F1 da mesma maneira. Simplesmente perdeu a graça. O vermelho da Ferrari nunca será igual o da McLaren que tantas vezes Senna pilotou, e o tremular da bandeira quadriculada nunca será tão marcante. Nem o Tema da Vitória, que até hoje emociona e resgata memórias, foi e jamais será o mesmo. O apagar das luzes da largada deixou tudo acinzentado.
Escuta essa: Tema da Vitória
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Lado B e Lado A em Curitiba
Logo após o encerramento do Campeonato Brasileiro, escrevi sobre a violência que dominou algumas das principais cidades brasileiras, em especial Curitiba. Apesar de levianamente acusado de estar desviando o foco, já que a campanha do meu time na reta final foi decepcionante, vou encarar novamente o risco e falar outra vez sobre os acontecimentos. Afinal, não dá pra ficar calado.
Segundo matéria do G1, números indicam que pelo menos 18 pessoas ficaram feridas na capital paranaense. Acredito que o número vai além, sem sombras de dúvida. Dois casos graves conhecidos até o momento também constam na matéria: no primeiro deles, um rapaz de 19 anos está internado em estado grave após ter sido ferido na cabeça. A outra história é de uma enfermeira que nada tinha a ver com o jogo, e que estava voltando para casa do trabalho de ônibus, quando uma bomba foi atirada contra o veículo. Saldo: ficou ferida e perdeu três dedos em uma das mãos. Felizmente ela sobreviveu, porém sua vida agora nunca mais será a mesma. Culpados? Um bando de marginais que transformam o futebol (e vários outros esportes) em guerra. Chegaram ao ponto de até apedrejar a casa que o treinador do Fluminense, Cuca, mantém na cidade.
Sempre defendi e reforço ainda mais a minha posição: as torcidas organizadas devem ser extintas dos estádios. Pelo menos temporariamente, até que seja possível registrar e identificar quem são os vândalos que se misturam aos torcedores. Afinal, existem os torcedores e os vagabundos.
Por outro lado, um bom exemplo vem também de Curitiba. Afinal, como falei, lá não é feito só de vagabundos. Ainda mais uma cidade bonita como aquela, que eu já tive oportunidade de conhecer (embora muito rapidamente). Segundo o globoesporte.com, um grupo de torcedores do Coritiba resolveu ajudar na reconstrução do estádio.
A ideia, que surgiu em uma rede de relacionamentos (possivelmente no Orkut), consiste em reaproveitar quantias que seriam utilizadas em festas da torcida e investir na manutenção dos prejuízos. Outra ideia é recolher brinquedos, roupas e alimentos para doar a instituições carentes.
Diferentemente dos animais que protagonizaram as horríveis cenas de domingo e que fazem perder muito do esporte, iniciativas como essa, dos torcedores do Coxa, merecem ser destacadas e repetidas. Pode ser pouco, mas é o que faz a diferença. Palmas para eles e cadeia pros animais.
Escuta essa: Johnny Cash - A Boy Named Sue
domingo, 6 de dezembro de 2009
Encerramento com chave de ouro
O campeonato brasileiro de 2009 foi o mais emocionante já disputado na era dos pontos corridos. Na última rodada, 4 times tinham condições de chegar ao título e a liderança foi revezada várias vezes ao longo do campeonato. Claro, admito estar frustrado por meu time ter tido uma queda vertiginosa de desempenho nas últimas rodadas, ver os maiores rivais beliscarem uma vaga na Libertadores e levantarem o caneco (que me desculpem os flamenguistas, mas não são hexa: o título de 1987 é do Sport!). Ainda assim, foi um baita campeonato. Mas não quero falar do futebol em si.
Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que o título acima é extremamente irônico.
Deixando isto claro, vamos à problemática: em São Paulo, decepcionados com a derrota do time e a não-conquista da vaga na Libertadores, torcedores do Palmeiras se revoltaram ao tempo que na Vila Belmiro os confrontos ocorreram tanto antes do jogo como depois do encerramento da partida.
Mas a coisa ficou feia mesmo foi em Curitiba. Em uma das cidades mais "evoluidas" do país, os torcedores, frustrados com o rebaixamento do Coritiba para a segunda divisão invadiram o campo para brigar com jogadores, arbitragem e quem mais aparecesse pela frente. E a confusão se alastrou pelas ruas da cidade,com vários feridos e, inclusive, informações de momento dão conta de que um policial morreu após ter sido baleado.
Esse tipo de cena se repete Brasil afora durante o ano inteiro, especialmente em dia de clássicos. Na América Latina isso também é uma rotina. Na Europa, alguns países sofrem com sérios problemas de segurança.
Fico refletindo se o ser humano é tão animal assim. Se ele é um ser completamente irracional (ao contrário do que se declara ser), a ponto de matar o próximo por causa de uma atividade que deveria ser saudável e benéfica, que é o esporte. Chego à triste conclusão que sim.
O mundo seria tão mais bonito se todos pudessem sair às ruas com a camisa dos seus times, declarar seu amor à um clube e viver as alegrias e tristezas que só o esporte proporciona. Afinal, o respeito mútuo existiria, todos se preocupariam apenas com seu time e não com os rivais, e todos teriam paz para dormir com tranquilidade sabendo que, no dia seguinte, poderiam vestir as cores do seu time sem medo. Mas, na realidade, todos temos de nos cuidar ao usarmos camisas de clubes, temos de nos preocupar com onde vamos e em que dias podemos ou não andar uniformizados, temos de aguentar hostilidades gratuitas e nos preocuparmos com uma coisa que não deveriamos: segurança.
Em que momento da história o ser humano acreditou que era um ser racional, e que poderia se autodeclarar assim? Porque, acompanhando as notícias pós-encerramento do Brasileirão, o que se percebe é uma coisa totalmente diferente.
Sem escuta essa: no silêncio da reflexão e envergonhado pelo triste fim de um campeonato tão bonito.
sábado, 16 de agosto de 2008
21s30
Este foi o tempo que César Cielo Filho gastou para escrever seu nome na história da natação mundial e, principalmente, nacional.
Um pequeno passo perto dos (prováveis) oito ouros de Michael Phelps, mas um grande passo para Cielo e o esporte nacional.
Em um país de "terceiro mundo", sem políticas públicas voltadas para o esporte, este feito é memorável. Tão memorável, também, como o que as meninas da ginástica conseguiram: classificar, pela primeira vez na história, a equipe feminina para as finais da competição. Podem não ter subido ao pódio, mas também deram um grande passo para e pelo esporte nacional.
Aos poucos, os heróis do esporte nacional vão construindo marcas e abrindo portas para os futuros heróis nacionais. Gustavo Borges foi um exemplo para Cielo, e mais: foi um amigo. Cielo, agora, será exemplo para milhares de garotos que se iniciam no esporte, e o mesmo vale para Daiane, Jade, Ana, e vários outros atletas das mais variadas categorias.
Quem sabe, no futuro, surgirão no Brasil um Michael Phelps ou Usain Bolt? Talento nós temos, só falta saber lapidar.
Obs.: Ainda são atletas novos, e com certeza Cielo, Jade, Ana, Thiago, e vários outros, ainda trarão muitas alegrias para este sofrido país. Considerem isto um prognóstico.
Obs.2: A vitória de Cielo foi de arrepiar. E, no momento do hino, o Cubo d'Água inteiro aplaudindo, foi mais ainda. Isto merecerá até outro tópico, quem sabe...

